16 de out. de 2014

Datafolha indica que eleito presidirá país dividido



A primeira grande tarefa do próximo presidente da República, seja quem for, será unificar o país. A 11 dias da eleição o Datafolha informa que o eleitorado continua rachado em duas partes praticamente iguais. Repetem-se agora os percentuais da semana passada. Aécio Neves amealha 51% das intenções de voto. Dilma Rousseff, 49%. Há um empate estatístico. A conta exclui os votos inválidos.

Numa leitura simplificada, a sondagem mostra que a polarização atingiu os dois extremos da pirâmide social. Na base, o eleitor mais pobre e menos escolarizado pende para Dilma. Do meio para o topo, o eleitorado com bolso menos roto e com mais tempo de escola pende para Aécio. Há 12% de eleitores voando —6% ainda indecisos e 6% que manifestam a intenção de votar em branco ou anular o voto.

O histórico das eleições mostra que, a essa altura, a turma que deseja invalidar o voto não deve mudar de posição. Esse é o voto de protesto. Restam, portanto, os 6% de indecisos. Em termos sócio-econômicos, boa parte dessa gente situa-se naquele nicho que se convencionou chamar de nova classe média. Buscam segurança para mudar sem perder conquistas pretéritas.

Se o eleito for Aécio, a unificação do país será teoricamente mais simples. Para conquistar o eleitorado de Dilma, bastaria ao tucano cumprir a promessa de não mexer nas políticas sociais, sobretudo no Bolsa Família. Se Dilma triunfar, a coisa será mais trabalhosa. Para se achegar ao eleitor de Aécio, a presidente petista terá de virar uma espécie de ex-Dilma, capaz de recuperar a confiança do empresariado e convencer o pedaço da sociedade que julga ter mais a perder de que aquela gerente vendida por Lula em 2010 não é uma fábula.
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