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12 de set. de 2017

Após protestos, Santander fecha exposição sobre diversidade no Rio Grande do Sul

Com obras de Volpi e Portinari, ‘Queermuseu’ foi encerrada um mês antes do previsto em Porto Alegre; mostra foi alvo de críticas de grupos como o MBL


Pintores mundialmente reconhecidos como Alfredo Volpi e Cândido Portinari estavam entre os 85 artistas da exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira” que deveria estar aberta ao público até 8 de outubro, no Santander Cultural, em Porto Alegre. Porém, neste domingo, o local fechou as portas para a visitação após protestos, incluindo do MBL (Movimento Brasil Livre), contra a mostra que tinha como objetivo valorizar a diversidade sexual através de temáticas LGBT.

Segundo o Santander, a exposição recebeu muitas críticas. “Entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”, disse o banco em nota na tarde deste domingo. “Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra”, afirmou o Santander.

O MBL comemorou o encerramento da exposição como um “vitória da pressão popular”. O MBL do Rio Grande do Sul chegou a chamar o Santander de “vergonha dos gaúchos” e pediu que os correntistas do banco, que mantém o centro cultural, encerrem suas contas em protesto.

Segundo o MBL, algumas obras expostas fazem apologia à pedofilia e zoofilia. Em um vídeo com mais de 400.000 visualizações, desde o último sábado, integrantes do MBL visitam o Santander Cultural e dizem que “só tem putaria, só tem sacanagem” que é “reconhecida como arte”. “Há pouco tinha crianças olhando essa ‘arte’ escarnecendo a Cristo”, diz o blogueiro Felipe Diehl no vídeo. “O curador dessa obra, Gaudêncio Fidelis, esse cara deveria estar preso”, acrescenta Diehl. “Olha o Satanás no meio”, diz Rafinha BK, outro blogueiro do MBL. “Isso aqui é praticamente prostituição infantil”, diz outro simpatizante do movimento apontando para uma obra alusiva ao meme “Criança Viada”, conhecido entre a comunidade LGBT.


Prefeito fala sobre fechamento

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) repercutiu o fechamento da exposição. Na sua página do Facebook, Marchezan diz que a mostra tinha “imagens de zoofilia e pedofilia”. Horas mais tarde, Marchezan apagou sua postagem. O prefeito, que é apoiado pelo MBL, obteve liminar na Justiça para que os protestos contra sua administração fossem proibidos.

Defesa da exposição

Grupos de defesa dos direitos dos LGBT organizam, pela internet, um ato em apoio em “defesa da cultura e democracia” em frente ao Santander Cultural para próxima terça-feira, às 16h. Críticos ao conservadorismo do MBL, os organizadores do ato apontam a contradição de um suposto movimento liberal atuar pela censura da exposição.

Diversidade

“Uma exposição queer, que busca não ditar ou prescrever regras, discute questões relativas à formação do cânone artístico e a constituição da diferença na arte. Para esta plataforma curatorial levei em conta aspectos artísticos, culturais e históricos de cada trabalho”, disse o curador Gaudêncio Fidelis, no material de divulgação da mostra.

“A diversidade é um valor para o nosso negócio. Acreditamos que o capital humano é o que torna uma organização diversa, com maior probabilidade de inovação e maior chance de se diferenciar no mercado”, disse Marcos Madureira, vice-presidente de Sustentabilidade do Santander, quando a exposição foi lançada.

Polêmicas

Esta não é a primeira vez que o MBL protagoniza uma polêmica no Rio Grande do Sul. Recentemente, a Justiça determinou que o blogueiro Arthur Moledo do Val, do canal Mamãefalei, retire do ar um vídeo em que aborda Luciana Genro (Psol) e sua família, em Porto Alegre. Caso descumpra a decisão, Do Val deverá pagar uma multa de 5 mil reais por dia.


6 de set. de 2016

Polícia pede prisão de jornalista que acusou Marco Feliciano de estupro

Patrícia Lélis foi indiciada por denúncia caluniosa e extorsão após afirmar ter sido sequestrada pelo assessor do parlamentar, Talma Bauer




A polícia de São Paulo pediu a prisão preventiva da jornalista Patrícia Lélis, 22 anos, que acusa o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) de estupro e afirma ter sido sequestrada pelo assessor dele, Talma Bauer. Por essa segunda acusação, Patrícia foi indiciada por denúncia caluniosa e extorsão.
O delegado que cuida do caso, Luís Roberto Hellmeister, indicou, há duas semanas, que faria o pedido de prisão, dada a "periculosidade" de Patrícia. Na época, Hellmeister disse que ainda faltava juntar alguns laudos de vídeos e conversas.

O advogado da jornalista, Roberto da Gama Cidade, afirmou que o pedido de prisão não causou "nenhuma surpresa" e que enviou ao Ministério Público paulista uma petição para que as investigações sejam invalidadas. Para ele, o delegado já havia externado que essa era sua vontade. Cidade disse acreditar que o processo deveria ter sido enviado a Brasília, uma vez que envolve um parlamentar.

Entenda o caso

- Em boletim de ocorrência, a estudante de jornalismo Patrícia Lelias, 22 anos, acusa o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) de assédio sexual, tentativa de estupro e agressão, que ocorreram, segundo ela, no dia 15 de junho, no apartamento funcional do parlamentar na capital federal.

- Segundo Patrícia, o deputado a havia convidado para uma reunião. Quando chegou lá, Feliciano estava sozinho e teria dito que desejava conversar com ela a sós. Patrícia afirma que o parlamentar propôs que ela fosse sua amante em troca de um salário de R$ 15 mil para ocupar uma posição dentro do partido.

- Diante das supostas agressões, Patrícia disse que começou a gritar e, segundo ela, uma vizinha do deputado tocou a campainha do apartamento para saber o que estava acontecendo. Nesse momento, a jovem diz ter conseguido escapar do local.

- Em entrevista coletiva, a estudante afirmou que o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo (RJ), e Talma Bauer, assessor de Feliciano, lhe ofereceram dinheiro quando ela procurou ajuda do PSC a respeito das acusações que pretendia fazer contra Feliciano.

- A jornalista é filiada ao PSC desde março e conhecida no YouTube por ser conservadora, religiosa e antifeminista.

As investigações

- A jornalista registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, na Asa Sul de Brasília, em que acusa o deputado de assédio, tentativa de estupro e agressão.

- O caso também é investigado em São Paulo pelo delegado Luiz Roberto Hellmeister, com foco na apuração de suposto sequestro e cárcere privado de Patrícia Lélis. Segundo o portal G1, no entanto, Hellmeister descartou esta hipótese, já que, para ele, as imagens desconfiguram a situação de sequestro descrita por Patrícia, pois ela recebeu o namorado no hotel e aparentemente trata Bauer como amigo nas gravações.

- As polícias civis de SP e do DF passam a investigar o caso em relação à coação (para que ela gravasse vídeos a favor de Feliciano). Também será apurado se Patrícia cometeu o crime de calúnia pela denúncia de cárcere privado contra Bauer.

- A Procuradoria-Geral da República pedirá à Polícia Legislativa as imagens de vídeos das câmeras instaladas no prédio, corredores e elevadores onde mora o parlamentar.

- A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora especial da Mulher no Senado, protocolou junto ao Ministério Público do Distrito Federal um ofício no qual solicita que Feliciano seja investigado pela suposta tentativa de estupro.

- Na quarta-feira, um grupo de deputadas entregou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), representação solicitando que o Conselho de Ética da Casa investigue o deputado por suposta quebra de decoro parlamentar. O documento foi assinado por 22 deputadas. Como apenas partidos políticos e o corregedor-geral da Câmara podem acionar o Conselho de Ética para investigar deputados, o caso terá de passar por análise da Corregedoria da Casa antes de, eventualmente, ser submetido ao conselho. Se for constatada quebra de decoro, o deputado pode vir a responder a um processo disciplinar que pode culminar em sua cassação.

- Além disso, a cúpula do PSC determinou a criação de uma comissão interna para apurar a suposta acusação de assédio sexual e agressão.

8 de jun. de 2015

Líder do PSD na Câmara propõe que 'Cristofobia' seja crime



Brasília - O líder do PSD na Câmara dos Deputados, Rogério Rosso (DF), protocolou nesta segunda-feira, 08, um projeto de lei que torna crime hediondo ultraje, impedimento ou perturbação de cultos religiosos. Na proposta, o deputado ataca o que chama de "Cristofobia" e sugere como punição, além de multa, aumento da pena para quatro a oito anos de reclusão.

Na justificativa do projeto, o parlamentar reclama que manifestações de defesa dos direitos homossexuais, como a Parada LGBT, têm "zombado" da fé dos evangélicos e agindo de forma desrespeitosa contra símbolos religiosos.

"A intenção desse projeto de lei é proteger a crença e objetos de culto religiosos dos cidadãos brasileiros, pois o que vem ocorrendo nos últimos anos em manifestações, principalmente LGBTs, é o que podemos chamar de 'Cristofobia', com a prática de atos obscenos e degradantes que externam preconceito contra os católicos e evangélicos", diz o texto da proposição.

O artigo 208 do Código Penal prevê hoje multa ou detenção de um mês a um ano para quem escarnecer de alguém, por motivo religioso, ou perturbar cerimônia religiosa, "vilipendiar publicamente o ato ou objeto de culto religioso". Em caso de violência, a pena é acrescida em um terço.

24 de mai. de 2015

Silas Malafaia rebate Lula: 'mensalão não foi o diabo, foi o PT'





O pastor evangélico Silas Malafaia rebateu as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atacou o PT e provocou o ex-presidente para que ele fale a verdade para os brasileiros. "Quando o homem mente descaradamente ele se parece com o diabo. Lula, que tal você falar toda a verdade e deixar de enganar o povo brasileiro?", afirmou, em vídeo postado no YouTube.

Mafalaia ainda afirmou que o ex-presidente "foi o mandão" das "roubalheiras" e "cachorradas" do PT. "Não vai dar mais para sua bravata enganar a gente não", disse. "A paciência do povo já está cheia de tanta safadeza, de tanta roubalheira, de tanto engano."

Em evento com sindicalistas nesta semana em São Paulo, Lula citou em tom de brincadeira os métodos utilizados pelos pastores neopentecostais. "Os pastores evangélicos jogam a culpa em cima do diabo. Acho fantástico isso. Você está desempregado é o diabo, está doente é o diabo, tomou um tombo é o diabo, roubaram o seu carro é o diabo", disparou o ex-presidente.

No vídeo, Malafaia rebate. "Você está enganado, Lula. Nós sabemos que o diabo é um ser que odeia o ser humano. Mas nós não tiramos as responsabilidades das pessoas de suas ações", afirmou o pastor, que acusou o PT de ser o responsável pelos escândalos de corrupção. "O mensalão não foi o diabo não: foi o PT. A roubalheira escandalosa da Petrobras, não é o diabo não, é o seu partido, é o PT", disse.

O pastor sugeriu que o ex-presidente pedisse a Deus para ter ajuda para largar a bebida. "Não tenho ódio de você, não. Mas deixa eu falar uma coisa para você, que você vai entender: saiba que Jesus liberta da cachaça. Jesus liberta o homem da cachaça", ironizou.

"Porque satanás usa isso. Quem decide somos nós. O diabo usa as coisas, mas a decisão é do ser humano. Ele tem livre arbítrio e é um ser inteligente. Jesus liberta o homem da cachaça que transforma ele, esse vício miserável. Deus te abençoe. Deus tenha misericórdia de você", disse o pastor.

Sem citar diretamente a presidente Dilma Rousseff, Malafaia afirmou ainda que o governo do PT cometeu "estelionato eleitoral vergonhoso" e que é esse governo, e não o diabo, o responsável pela atual crise econômica. "Quem cometeu estelionato eleitoral enganando o povo, baixando a energia elétrica para depois explodir no preço, não é o diabo não, é o PT", disse. "Não é o diabo que tirou o emprego do povo brasileiro não Lula: é a política econômica do governo do PT".

Aos sindicalistas, Lula disse também em tom de galhofa que os dirigentes sindicais deveriam assimilar os métodos dos pastores. "Vocês sindicalistas têm que aprender a fazer isso porque cobram mensalidade, cobram contribuição sindical e não resolvem (as demandas da categoria)."

Segundo Malafaia, o ex-presidente "não entende nada de igreja evangélica e de pastor" e falou besteira ao afirmar que os pastores dizem aos fiéis "que o dízimo salvará". "Tu tá falando besteira. Nenhum pastor prega que dízimo salva, não tem isso na bíblia."

Aos sindicalistas, também em tom de brincadeira, Lula disse que eles deveriam assimilar os métodos dos pastores em relação ao dízimo. "Vocês sindicalistas têm que aprender a fazer isso porque cobram mensalidade, cobram contribuição sindical e não resolvem (as demandas da categoria)", afirmou Lula.

14 de abr. de 2015

Igreja Universal oferece a fiéis escrituras de "terrenos no céu"

Em mais uma jogada de marketing, a Igreja Universal do Reino de Deus anuncia que vai vender escrituras de terrenos no céu para fiéis


A igreja Universal do Reino de Deus, em mais uma de suas campanhas marqueteiras, absurdas e anti-bíblicas, colocou à venda escrituras de sociedade com Deus. Mediante a oferta depositada, o fiel recebe um contrato que lhe da direitos sobre o Criador, o qual passa a ser seu sócio, e pode exigir as bênçãos que supostamente lhe correspondem. Para “autenticar” o contrato, 70 pastores da IURD estariam selando o documento com o sangue do cordeiro, e à partir de então o contrato passaria a ter valor legal ante Deus.
O vídeo da divulgação da venda das escrituras foi vazada por um grupo na internet. O programa foi transmitido na internet pelo site da Igreja Universal.
No vídeo o pastor que ali comandava disse que fiéis já estariam comprando a novidade, os chamados "contratos da fé" são escrituras de "terrenos no céu". Com a compra do papel, o fiel teria direito a um terreno celestial.
As escrituras não tiveram valor estimado ou divulgado no vídeo, mas a compra delas é sucesso entre os fiéis de mais de 70 igrejas da universal.



18 de jan. de 2015

O "soco" do Papa sacode católicos e laicos




O surpreendente comentário do Papa Francisco de que daria um "soco" em quem ofendesse a sua mãe, provocou polêmica entre católicos e ateus e abriu um debate na Itália sobre uma possível justificativa ao ataque à revista satírica francesa Charlie Hebdo.

"Matar em nome de Deus é uma aberração. Mas também não podemos provocar nem insultar a fé dos outros. Se um grande amigo fala mal da minha mãe, ele pode esperar um soco, e isso é normal", declarou Francisco na quinta-feira a jornalistas.

As palavras do Papa, pronunciadas após condenar pela segunda vez o atentado na semana passada contra a revista, em que 12 pessoas morreram, provocaram as mais diversas reações.

"Foi uma saída pouco católica, mas muito simpática", comentou o filósofo italiano Massimo Cacciari.

A ideia do soco, que gerou risos entre os jornalistas presentes, foi pronunciada como um exemplo concreto e "em tom coloquial" para explicar a complexidade do problema, esclareceu, por sua vez, o Vaticano.

Contudo, o que os jornalistas entenderam como sua forma particularmente espontânea de falar, gerou debate na Itália.

"O Papa expressou a impossibilidade neste século de dar a outra face e respeitar o desejo evangélico de amar o próprio inimigo", comentou o ateu Massimo Cacciari, ex-prefeito de Veneza.

"O Papa buscou o efeito humano, talvez tenha sido demasiado humano", disse ele em declarações à página Católica Vatican Insider.

"Eu não posso fazer piada com a religião. E este é o limite. Eu coloquei este exemplo do limite para dizer que na liberdade de expressão há limites, como no exemplo da minha mãe", declarou o próprio pontífice aos jornalistas.

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