
No radar dos investidores estiveram três pesquisas eleitorais e uma reportagem da revista "Veja", afirmam analistas. "O principal fator de influência são as eleições de domingo. Abrimos o dia com uma pesquisa Sensus que colocou o Aécio à frente, resultado diferente do Datafolha e do Ibope. Também vimos notícias em relação ao suposto envolvimento do PT em um caso de corrupção. Tudo isso cria uma expectativa positiva no sentido de a oposição vencer a eleição", afirma Fabio Lemos, analista da São Paulo Investments.
DATAFOLHA
De acordo com pesquisa Datafolha, Dilma tem 53% dos votos válidos, contra 47% de Aécio. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A diferença entre eles, portanto, está além dos limites máximos da margem. Já na sondagem do Ibope, a petista tem 54% das intenções de voto, contra 46% do tucano, considerando apenas os votos válidos.
CENÁRIO
O cenário para segunda-feira vai depender do vencedor de domingo, afirma Cardoso. "Se for confirmada a reeleição de Dilma, a Bolsa deve cair um pouco. Mas não deve chegar a ter um circuit break [quando o pregão é interrompido em caso de queda/alta superior a 10%]. A volatilidade durante o dia vai ser muito grande, principalmente na abertura, não importa se para baixo ou para cima", afirma.
"Se Dilma ganhar, a Bolsa pode cair abaixo dos 50 mil pontos, embora eu não acredite que possa ficar abaixo de 48 mil. Se o Aécio ganhar, há espaço para que a Bolsa volte aos 65 mil pontos", ressalta.
CÂMBIO
Após fechar cotado a R$ 2,51 na quinta-feira (23), o dólar recuou nesta sessão também em meio a um maior otimismo com o desempenho da oposição na eleição de domingo (26). O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 1,51%, a R$ 2,472. Na semana, a moeda americana fechou com valorização de 1,18% em relação ao real.
O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, teve queda de 2,18%, a R$ 2,458. Foi a maior queda percentual diária desde 18 de novembro de 2013. Na semana, o dólar comercial teve valorização de 1,11% em relação ao real. Segundo Fabiano Rufato, gerente sênior da mesa de câmbio da corretora Western Union, o dia no mercado cambial também girou em torno do cenário eleitoral.
"Não teve nenhum fato novo no exterior e nem interno que pudesse gerar uma queda desse tamanho. A influência foi da reportagem da 'Veja', a pesquisa Istoé/Sensus, que não veio ruim para o Aécio", diz. "A semana teve volatilidade grande, com oscilações grandes entre máxima e mínima", ressalta. O real ficou em quarto lugar entre as moedas emergentes que mais sofreram desvalorização em relação ao dólar, atrás do rublo russo (-2,76%), do florinte húngaro (-1,68%) e da coroa tcheca (-1,48%).
Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade às atuações diárias no mercado de câmbio, vendendo 4.000 de contratos de swap (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro) com vencimentos em 1º de junho, correspondendo a US$ 197,7 milhões. Também foram ofertados contratos para 1º de setembro de 2015, mas nenhum foi vendido.
O BC também realizou mais um leilão de rolagem dos contratos de swap que vencem em 3 de novembro, vendendo 8.000 contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 80% do lote total, equivalente a US$ 8,84 bilhões.