24 de nov. de 2014

Coração Valente Sangra por Amor de Índio

2005. Irrompe o mensalão.

Em pronunciamento à nação Lula se diz traído, é a expressão de um homem derrotado.

À época, Jorge Bornhausen, senador catarinense, cunhou a célebre frase "Vamos acabar com o PT, vamos acabar com essa raça". Mas a oposição nada fez, calou porque apostava que o presidente cairia de podre. Perdeu a aposta.

Eis que, no ano seguinte, Lula se reelege presidente. No segundo mandato, decola. O mesmo presidente acuado do ano anterior, extermina Bornhausen, ex-PFL que virou DEM e virou pó, e liquida toda e qualquer oposição. Faz 12, vai pra 16 anos que o PT está no poder.

Não bastasse varrer a oposição do mapa, Lula derrota Veja, Estadão, Folha e Globo, e atinge índices de popularidade estratosféricos. Faz sua sucessora, e sai do Palácio do Planalto exortado como o maior líder popular desde Getúlio Vargas.
***
Em 2006, Dilmão presidia o Conselho de Administração da Petrobras. Nessa época, a empresa adquiriu metade de uma refinaria situada em Pasadena, nos EUA, por US$ 360 milhões. A refinaria tinha sido negociada, um ano antes, por US$ 42,5 milhões.

2014. Dilmão, em nota, admite ter comprado o paquiderme branco de Pasadena baseada em parecer "técnica e juridicamente falho". Não fosse suficiente a confissão de incompetência da presidente, constava no contrato de compra uma cláusula cujo nome é "put option" que estabelecia o seguinte: caso houvesse desentendimento entre os sócios, o comprador teria de forçosamente encampar a outra metade da refinaria. E foi o que aconteceu. Ou seja, a Petrobras teve de comprar os 50% restantes dos sócios devido a contenda. Um prejuízo de US$ 820,5 milhões.

Que desentendimento foi esse?

Será que Dilmão esculhambou o Paquiderme errado só para agradar o Mickey Mouse certo? Quem eram esses gringos melindrados?

Na verdade, o desentendimento e o melindre não passaram de jogo de cena – hoje temos quase certeza disso graças a Operação Lava Jato. Tudo combinado pra roubar os trouxas, também chamados contribuintes, ou nós mesmos, que comparecemos com US$ 1,19 bilhão para ficar com uma refinaria que, em 2005, não custava nem 5% desse valor.

Nessa época, Lula festejava o pré-sal e fazia demagogia nas plataformas da Petrobras, lembram das mãos sujas de óleo do presidente?

Conclusão 1. Evidente que Lula teve responsabilidade no caso do Mensalão. Estava cônscio de tudo muito antes de a merda ter se espalhado, ele e ¾ do Congresso Nacional e sabe-se lá qual a porcentagem de "legisladores" que, por omissão ou participação direta ou indireta, se beneficiaram do esquema do Mensalão da mesma forma que, agora, estão envolvidos no escândalo do Petrolão e em todos as maracutaias que se perpetraram no Brasil desde que Cabral aportou nessas terras há 514 anos.

Diante do mega-escandalo do Petrolão, falar em Mensalão parece nostalgia romântica, mas volto ao caso porque é um ponto fora da curva. Um momento emblemático na história do Brasil - quando políticos de alto coturno foram engaiolados. As cifras da corrupção que mandaram pro xilindró Dirceu & cia ltda soam hoje como troco perto dos bilhões, quiça trilhões subtraídos por empreiteiras e financiadores de campanha no caso Petrolão.

Collor foi impichado por causa de um Fiat Elba.

Pois bem, conclusão 1. Lula admitiu a traição em rede pública, e, na melhor das hipóteses, foi omisso no caso do Mensalão.

Conclusão 2: Dilma não é Lula.

Grand Finale:

Não existe petróleo nem sal suficiente nas profundezas dos nossos oceanos, não vejo força na terra nem debaixo d’água capaz de dar uma quebradinha que seja, um tempero ou um remelexo qualquer na figura paquidérmica de nossa “presidenta”.

Dilma, diferentemente de Lula, que é um molusco genial, sedutor e venenoso, é um hipopótamo que assina contratos bilionários "tecnicamente falhos"e ainda bufa cheia de razão e patriotismo tosco para uma plateia de paquidermes sonhadores, digo, ingênuos eleitores que dormiam o sono dos justos até o momento em que perderam o sagrado cabaço diante da realidade (leia-se Katinha Motosserra) que se impôs à babaquice.

Caramba! Lembrei do Ivan Lessa! Para incrementar a praga (ou diagnóstico?) do cronista que terminou seus dias bem longe do Brasil, eu diria que Katia Abreu é apenas o princípio do pesadelo dessa gente bem-intencionada que votou com o coração valente batendo apaixonadamente dentro do peito, os dois pés no chão e as duas mãos também.

A senadora do PMDB, queridos gnominhos do bem, é a nova ministra da agricultura da Dilma. O coração valente sangra pelo amor do índio que foi sem nunca ter sido. E tem mais. A "presidenta" não vai nomear um Guarani-Kaiowá e nem vai escolher o Beto Guedes para a pasta do Meio-Ambiente. A motosserra da dra. Katia, todavia, pode ser uma oportunidade para trazê-los de volta à dura realidade. Ou chamá-los à chincha, como se fala lá no sul. Pois foi a ação dos corruptos que bancaram a eleição e fizeram/fazem e continuam fazendo negócios e dando suporte ao governo da dra. Dilma, foi a ação deles chancelada efusivamente pelo voto coração valente de vocês - bom dividir as responsabilidades né? - que resulta na derrubada das florestas,na bagunça do clima,no suicídio e desamparo dos índios,no envenenamento dos alimentos, na expulsão das famílias do campo e, por fim, na monocultura do estupro aos cofres públicos. A desgraça do Brasil não é uma commoditie explorada única e exclusivamente pela dra. Katia Abreu, queridos gnominhos do bem.

De modo que, depois do Dilmão, os filólogos, os biólogos e os místicos terão de encontrar um novo significado para as palavras “carisma”, "truculência e "burrice". A grande revolução da "presidenta" vai se dar - quem diria ...- nas searas gramaticais, biológicas e psiquiátricas. Haja retórica,haja neurônios descalibrados e demência para tentar justificar a reeleição desse tanque de guerra enferrujado, subfaturado a peso de ouro e atolado num lamaçal que ninguém sabe exatamente onde começou e que, até semana retrasada, parecia que nunca teria fim. Terá?
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens populares

▲ Topo