
Integrantes do núcleo de governo da presidente Dilma Rousseff reconhecem de forma reservada que, além de dar uma declaração tardia, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não foi bem sucedido ao tentar politizar a reação governista no que se refere à operação Lava Jato. Cardozo disse, mais cedo, que existe tentativa de fazer da nova etapa da investigação da Polícia Federal um “terceiro turno eleitoral”.
Nas palavras de um interlocutor direto da presidente Dilma Rousseff, por causa da gravidade e da materialidade das denúncias, é irreversível o aprofundamento das investigações da Petrobras e a descoberta do aumento do número de pessoas próximas ao governo envolvidas no episódio.
Há o reconhecimento de aliados do governo de que, se o juiz federal Sergio Moro tivesse feito essa operação durante o período eleitoral, ela estaria contaminada politicamente. Mas, tendo esperado o resultado eleitoral para deflagrar a fase mais explosiva da Lava Jato, Sergio Moro se cercou de cuidados para dar credibilidade ao processo de investigação do esquema de corrupção na Petrobras, ressaltou esse interlocutor da presidente Dilma.
O longo de silêncio de mais de 24 horas até a primeira reação às prisões deflagradas pela PF mostram que o governo ficou atordoado com a dimensão dessa fase da operação Lava Jato. “Ainda estamos processando todas as implicações relativas a esta operação”, explicou esse interlocutor de Dilma.