
A sessão desta terça-feira da CPI mista da Petrobras teve enorme serventia. Serviu para escancarar a eficiência da blindagem que o Planalto oferece ao PMDB de Renan Calheiros e ao PT, duas forças políticas em apuros. Havia na pauta da CPI um par de convocações pendentes de apreciação. Não foram nem votadas. O Planalto achou que a análise seria inconveniente. E providenciou o esvaziamento do plenário.
A votação do pedido de convocação do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, seria inconveniente porque deixaria irritado o padrinho político dele, o cacique peemedebista Renan Calheiros. E Dilma Rousseff prefere ajudar Renan a se reeleger presidente do Senado do que tê-lo como inimigo.
A análise do requerimento de convocação do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, seria inconveniente porque arrastaria para o banco da CPI aquele que os delatores da Operação Lava Jato acusam de ser um dos operadores do PT no esquema que cobrava propinas na Petrobras.
Majoritária, a bancada governista poderia ter derrubado os dois requerimentos. Mas isso seria inconveniente porque as suspeitas que pesam contra Sérgio Machado e Renato Duque são muito fortes. E a imprensa poderia alegar que o governo age para abafar a investigação. Melhor, então, não comparecer à CPI, negondo-lhe o quórum mínimo exigido para deliberação.
A oposição negou que tivesse feito acordo na semana passada para excluir nomes inconvenientes do rol de depoentes. E tentou convencer o presidente da CPI, Vital do Rêgo, a marcar uma sessão extraordinária para convocar todo mundo, inclusive o depoente que acusa tucanos de bicar propinas na Petrobras. Mas a oposição é inconveniente porque tumultua os planos da situação. E Vital encerrou a sessão de sopetão, sob protestos de oposicionistas irados por terem sido feitos de bobos.
Poder-se-ia repetir algo que já foi escrito aqui: o instituto da CPI está cometendo suicídio nas Comissões Parlamentares de Inquérito da Petrobras. Mas insistir nessa tese seria inconveniente porque poderia evitar o pior. E o melhor a ser feito agora é estimular a morte da CPI. Até a autodesmoralização tem limites.